ESCONDER SPOILERS

segunda-feira, 25 de março de 2013

Happiness - Felicidade (1998)


 "- I'm not laughing at you, I'm laughing with you.
- But I'm not laughing."


Deixe-me já dizer isso logo no começo, assim nos livramos desse pôster totalmente enganador. Não se trata de uma animação! E fique grato por isso, pois seria uma animação muito ruim, não sei qual foi a ideia dos criadores fazer um pôster assim. Essa é provavelmente o maior problema que tenho com esse filme. Ele é perturbador sim, mas não no mal sentido. Já esperava algo diferente do normal.

Ele não parece o tipo que você veria em um cinema ou tendo uma grande propaganda em cima. Posso estar enganado, mas pelo que me lembro, nunca tinha ouvido falar desse filme, logicamente que não posso lembra se comentaram dele em mil novecentos e noventa e oito, mas recentemente eu sei que ele me era desconhecido. Só fiquei sabendo da existência dele porque o IMDB o indicou como algo que eu poderia gostar após ter visto o Dente Canino. 

Posso dizer com toda certeza que gostei muito mais desse filme do que do Dente Canino. Como disse ele é perturbador sim, mas de um jeito que faz você querer ver até o fim para saber o que vai acontecer com os personagens e como a história vai acabar.

Basicamente conta-se a história de uma família e algumas outras pessoas que de uma maneira ou outra estão ligados aos membros dessa família central. Ele faz com que você questione o que é ser humano e até onde podemos aceitar um determinado comportamento de outra pessoa. Ele me fez questionar até onde e como devemos buscar a felicidade (que como o próprio nome diz é o tema central do filme. Atentem ao detalhe de que dessa vez somente foi feita uma tradução do nome original, ninguém quis fazer graça e inventar uma coisa nada a ver para ser colocada como nome).

Onde estava mesmo? Ah, sim! A busca da felicidade.

O que é certo ou errado? Devemos nos basear nos parâmetros de moral estipulados pela sociedade? Bom, nesse caso eu sou obrigado a dizer que sim. Casos muito extremos são abordados no filme. Coisas que eu realmente espero que não aconteçam todo dia (mas que provavelmente acontecem em todo mundo a toda a hora).

Pode ser que nunca consigamos ser totalmente felizes, porque sempre que alcançamos um objetivo já idealizamos outro e corremos atrás dele sem nem ao menos ter aproveitado o suficiente os louros da conquista anterior. Agora eu estou filosofando demais e parei totalmente de falar sobre o filme. Vamos voltar ao assunto principal...

O filme tem um dos atores que eu considero como um dos mais insuportáveis em toda a história do cinema: o Jon Lovitz. O mais engraçado é que eu não tenho um motivo especifico para não gostar dele, eu simplesmente antipatizo com ele. Não é um mau ator, na maioria das vezes interpreta personagens descentes, mas eu simplesmente não consigo gostar dele.

Fora isso não tenho do que reclamar, todos atuam muito convincentemente, os personagens são muito bem construídos e eu não vi nenhum erro que fosse imperdoável. Diria que é um filme muito bem feito e apesar de tudo gostoso de assistir.

Recomendaria a qualquer um que esteja procurando um filme um pouco mais incomum. Ele tem senso de humor, mas é um senso de humor para poucos. Sim, ele tem momentos que fazem você rir. Mas ele também tem momentos em que você ri porque é algo tão incrível, mas ao mesmo tempo tão possível que a única coisa que se resta a fazer é rir. A história bem diferente e apesar de ser um pouco perturbador pensar que existem pessoas assim ele é digno de uma segunda assistida sem problema nenhum!

O trailer também é bem feitinho e bem construído.




No IMDB

segunda-feira, 18 de março de 2013

The Wizard of Oz - O Mágico de Oz (1939)

"-Toto, I've a feeling we're not in Kansas any more."

Como falei do filme mais novo no post passado, nada mais justo do que falar daquele que deu origem a tudo (não exatamente, existem filmes sobre o mágico de Oz mais antigos que esse, mas esse foi o primeiro a ficar famoso de verdade).

Bom, como disse sou um grande fã desse filme (de verdade, tenho até um box de DVDs que são de uma edição limitada), então pode ser que meu julgamento não seja o mais imparcial de todos. Porém, não tem muito do que não gostar nele. Esse é provavelmente uma das melhores produções de Hollywood. Se levarmos em conta que o filme é de mil novecentos e trinta e nove ele não deve em nada para algo de dois mil e treze.

Quer dizer, eu pessoalmente acho que o cenário é muito mais convincente que o do Oz Mágico e Poderoso. Hoje em dia só querer saber de usar CGI (Efeitos gerados por computador - Computer-generated imagery em inglês) e se esquecem de como uma maquiagem bem feita ou um cenário bem construído são muito mais convincentes. Não estou dizendo para abolir totalmente os efeitos especiais, mas apenas dar uma maneirada, existe uma gama enorme de efeitos muito bons que podem ser criados sem a necessidade de um computador.

A história também é muito mais divertida e bem elaborada. No novo filme eles quiseram capitalizar com os grandes nomes e se esqueceram de priorizar algumas outras áreas que talvez sejam tão ou mais importantes. Não que eu não tenha gostado do novo filme, mas não é possível nem fazer uma comparação direta entre os dois. Alguns dos atores eram sim grandes nomes, Bert Lahr (O Leão Covarde) e Frank Morgan (O próprio Mágico entre outros personagens) eram dois atores muito conhecidos, porém Ray Bolger (O Espantalho, meu personagem favorito, o cara é um show a parte) e Judy Garland (confiar o papel principal a uma menina de dezessete anos não é algo tão trivial assim) não eram tão famosos e ainda assim mostraram um talento incomparável.

E os personagens então! São extremamente carismáticos, não tem como não gostar deles. Dançando e cantando, com todos os trejeitos e tudo mais. Mesmo a Bruxa Má do Oeste tem seu charme. E não podemos nos esquecer do Toto. Trabalhar com animais pode ser complicado, mas ele (que na verdade é ela, pois se trata de uma cadela) também se comporta muito bem, e olha que essa cachorra e puxada e empurrada durante todo o filme. Enfim, o produto final é realmente uma obra-prima. Exibindo o poder do Technicolor em toda sua força e ainda assim não parecendo tão forçado quando os efeitos utilizados pela Disney.

Gostaria de recomendar esse filme para todos, mas não vou fazer isso, pois querendo ou não o filme é um musical e algumas pessoas simplesmente não suportam esse gênero. Mas fora esse grupo específico de pessoas eu diria para assisti-lo agora mesmo. Se você gosta de bons filmes com certeza vai gostar desse. Ele é ótimo pra levantar a moral e está bem condizente com a ideia original do L. Frank Baum, que queria criar um mundo totalmente alegre e sem violência diferente dos contos de fadas clássicos. Apesar de o livro conter sim algumas descrições levemente sanguinolentas e da Dorothy quase sozinha conseguir matar duas bruxas, (coisa que o Mágico mesmo nem próximo disso chegou...) ainda assim a história é muito mais tranquila que os contos das mil e uma noites.

O trailer também é muito bom, mas o filme é muitas vezes melhor!




segunda-feira, 11 de março de 2013

Oz the Great and Powerful - Oz: Mágico e Poderoso (2013)

"- Where's your broom?
- You don't know much about witches, do you?"



Sou um grande fã de todo esse mundo criado pelo L. Frank Baum. O primeiro filme baseado no livro dele é um dos meus favoritos, então quando eles anunciaram que iam fazer mais um filme baseado nos seus livros eu fiquei muito interessado.

Tudo ficou ainda melhor quando vi que não seria um remake, pois ai não corre o risco deles estragarem um filme excelente com algo mais "meia boca" e, além disso, esse novo filme tem o potencial de interessar pessoas que não conhecem o primeiro filme e faze-las procurar mais informações e ver o filme ou ler o livro.

Falando no livro, a produção original é um dos raros casos em que eu gostei mais do filme que do livro, mas não é dele que estou falando agora, vou deixar para falar do primeiro filme quando fizer um review do mesmo.

Bom, o começo me agradou bastante, os créditos exibidos lembram bastante os filmes mais antigos, foi um toque bem legal. O fato de começarem com o filme em 4:3 e em branco e preto também foi muito interessante. Um tributo muito bem devido ao original (apesar do começo dele não ser exatamente em branco e preto, mas em sépia).  É importante notar que “O Mágico de Oz” foi o primeiro filme a mostrar do que o Technicolor era capaz de fazer.

Em minha opinião, a mudança para cores e para o formato 16:9 não foi tão marcante como no original, apesar de acontecer mais ou menos da mesma forma. Já que estou falando disso vou aproveitar pra dizer que achei o filme excessivamente colorido. Tudo bem que "O Mágico de Oz" também é colorido, mas não tanto assim. E o que eles estavam pensando quando usaram todos aqueles efeitos especiais? Muito exagerado em minha opinião, muito mesmo, o filme de 1939 é mais crível que esse.

Mas depois que você se acostuma com o colorido e efeitos especiais excessivos e começa a ficar mais envolvido na história o filme acaba sendo bem divertido. Ele não tem nada a ver com o original, creio que a Disney seguiu a mesma ideia do novo "Alice no país dasMaravilhas". Basearam-se no mundo criado pelo escritor, mas a partir dai criaram coisas não tão fiéis ao original (Nesse caso eu não posso afirmar com certeza, pois não li todos os livros sobre Oz, creio que existam uns nove, então não sei se em alguns deles ele conta como o mágico chegou em Oz. No caso da Alice posso dizer com certeza que eles criaram uma história própria, pois li os dois livros escritos pelo Lewis Carroll, e em nenhum deles é contado o que se passa no filme).

O que eu posso afirmar é que como no Alice eles usaram muito mais do mundo criado do que no original. Um bom exemplo é a cidade de porcelana, que é mencionada no livro, mas no filme não existe nada dela, o que é estranho, pois a Dorothy passa pela cidade de porcelana e encontra a menina também. Outro detalhe é o uso das outras raças além dos Munchkins. Elas também são mencionadas no livro mas não fazem sequer uma aparição no original.

O novo filme não está nem no mesma categoria de seu antecessor, o primeiro é um musical e eu diria que esse novo é mais um filme de ação e aventura. Também não é tão bom como o original (nem de longe), mas vale a pena assistir pelo menos uma vez. O filme é bem feito. Concordo com o que tinha visto em um review, ele é um filme bem feito (não esperava menos da Disney), mas não tem o mesmo carisma do original.

Se você é um fã dos livros, ou do primeiro filme diria para assistir, afinal de contas é baseado no mesmo mundo e ele não mancha em nada a reputação de seu irmão mais velho, só não espere nada nem remotamente parecido. Posso dizer que o primeiro filme é bem mais inocente. O mágico tem muito mais malícia do que a Dorothy jamais teria.

O trailer é bom, te deixa com vontade de assistir ao filme.





segunda-feira, 4 de março de 2013

Kynodontas - Dente Canino (2009)


 The cat is the most feared animal there is!

Como disse no post da semana passada esse filme é um tanto diferente. Ele não é simplesmente bizarro. Não. Ele é mais que isso. É muito difícil colocar em palavras, mas não é como qualquer outro filme que eu tenha visto até hoje.

Mas afinal, ele é estranho bom ou é estranho ruim? Isso também não é tão simples assim. Na maioria das vezes não é possível classificar um filme como bom ou ruim e boa. Existe muito mais que isso. Por isso não coloco notas nos filmes que faço reviews. A menos que o filme seja extremamente simples, como um filme de super-herói ou coisa assim, tem muito mais em jogo do que somente dizer se o filme é bom ou ruim. Muitas vezes a história pode conter uma ideia muito boa, mas o diretor escolhe um jeito totalmente errado de contá-la, ou vice-versa. O que pode dividir as opiniões de quem o assiste.

Bom, mas porque estou falando isso e não estou dizendo nada sobre o filme? Tenho dois bons motivos:

Primeiro porque quero dizer que tanto o produzir um filme, como assisti-lo, são experiências muito pessoais e que podem mesmo variar de como e quando (e até com quem) você assiste a determinado filme.

E segundo porque eu não sei se gostei desse filme ou não. Como aconteceu com o Persona, eu simplesmente não consigo me decidir. O filme não é ruim. É bem feitinho e a ideia em que ele se baseia me interessou muito. Manter pessoas isoladas do resto do mundo e da sociedade e criá-las como você bem entender. De um ponto de vista psicológico pode ser uma experiência muito interessante.

Porém, contudo, entretanto, todavia, mesmo com o filme sendo bem feito e tendo uma ideia interessante, não posso dizer que gostei dele. Ele é simplesmente muito peculiar para ser “gostado” assim facilmente, mas também não desgostei dele. Ele se encaixa na grande área cinzenta de filmes bons mas que não agradaram.

Sem dúvida nenhuma ele tem bons pontos, como a aparição do gato e a dos peixes na piscina. O filme é um tanto explícito, me arrisco a dizer que é explícito até demais, algumas cenas poderiam ter sido deixadas de lado.

O pior é que eu não acho que esse cenário seja realmente impossível. Vai saber quantas famílias por ai trancam seus filhos e ensinam para eles as coisas mais absurdas. Em um determinado momento a mãe disse que está grávida e que dará a luz a duas crianças e um cachorro!

Não que signifique muita coisa, mas o filme foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011 e ganhou vários outros prêmios. Diria que ele teve muito potencial, apenas não agradou o tanto quanto eu esperava.

Diria que se você gosta de filmes diferentes esse com certeza vai prender sua atenção. É um filme digno de ser assistido pelo menos uma vez, nem que somente por curiosidade. Mas não posso de maneira nenhuma recomenda-lo.


O trailer, como o filme, é um tanto perturbador.